Como o ritual mudou!

Como o ritual mudou!

O nosso ritual sofre mudanças de tempos em tempos. Algumas dessas mudanças se tornam necessárias por conta do tempo em que vivemos e outras por fidelidade a história. Quanto ao brasil, é histórico que a maior parte das mudanças do ritual se devia a uma má tradução dos rituais, mas antes disso, ele tentou se adaptar ao “paladar” maçônico para que ficasse mais atraente a implantação da organização em território brasileiro. Uma coisa é certa, o ritual mudou, está mudando e vai continuar a mudar conforme os anos passam. Sejam elas pequenas ou grandes mudanças, mas ele nunca perderá sua essência. Veja aqui nesse artigo, sobre as mudanças do ritual.

A “lenda” do ritual DeMolay é que ele permanece praticamente o mesmo desde quando foi escrito por Frank Marshall em 1919. Mas, quão verdadeira é essa afirmação? Este é um blog público, portanto não podemos fazer uma análise aprofundada de nossas cerimônias fechadas para responder a essa pergunta aqui, mas PODEMOS pegar uma parte do ritual que foi autorizado para a apresentação pública e ver como isso mudou ao longo dos anos. Graças ao tio Gregory M. Schaeffer, Grande Mestre Estadual da Pensilvânia, e membro de longa data da comissão de Ritual e Liturgia do DI, temos uma análise aprofundada da “Cerimônia das Nove Horas” revisando o texto de todas as edições.

Publicado abaixo, está o texto das seções pertinentes da 1ª à 15ª edição (atual) do ritual. Ao ler cada versão, você verá como o texto mudou e entenderá o porquê.

O texto foi escrito pela primeira vez em 1919, no final da Primeira Guerra Mundial, e reflete uma masculinidade jovem, cheia de patriotismo nacional, e apreço pelo trabalho dos maçons com os órfãos. Pequenas mudanças foram feitas em 1920 para a segunda edição, incluindo o acréscimo da linha no encerramento que agora todos dizemos juntos, mas, em seguida, foi falada somente pelo Mestre Conselheiro. (Leia um desses textos no fim do artigo.)

Na 3ª edição de 1924, a DeMolay havia se espalhado pelo Canadá, e o americanismo do último parágrafo era inadequado, por isso foi tornado mais genérico para que funcionasse em TODOS os países. A quarta edição de 1926 refina ainda mais as instruções para exigir que todos os DeMolays ativos se ajoelhem durante a oração. A referência a órfãos é mais inclusiva a outras pessoas que também precisam de nossas orações.

A 5ª edição de 1930 é essencialmente o mesmo texto, mas também é a primeira vez que o Mestre de Cerimônias recebe instruções explícitas para conduzir o capelão ao altar e de volta ao seu posto. As diferenças da 6ª edição são mínimas e estão relacionadas à iluminação e a uma pequena revisão de texto em 1937. Nada foi alterado na 7ª Edição de 1945 ou na 8ª Edição de 1959. (Leia o texto da 6ª Edição no fim do artigo).

A 9ª edição de 1963 acrescenta o uso do gongo no capítulo para iniciar a cerimônia. Duas sentenças foram revertidas e todos os DeMolays são instruídos a dizerem a bênção final da oração. Além disso, “os hóspedes em residências e hospitais” substituíram uma referência a “Instituições”, uma palavra que havia desenvolvido uma conotação negativa. A 10ª edição de 1964 não mostra nenhuma alteração de texto, exceto a autorização para executá-la em público, e esse é o mesmo texto publicado na 1ª edição de 1965 do Monitor de Cerimônias Públicas. A 11ª edição de 1969 acrescentou o requisito de que a cerimônia das 9 horas fosse realizada em TODAS as reuniões do capítulo.

A 12ª edição de 1974 é muito específica, com instruções de trabalhos de solo e batidas de malhete. Isso faz sentido, pois coincide com o desenvolvimento do sistema de julgamento dominante em torneios de ritual, onde palavras e precisão são importantes. A primeira versão das instruções dos trabalhos de solo (A-Z) estreou nesta edição.

A 13ª edição de 1984 criou o formato que vemos no Ritual hoje. As instruções de trabalho de solo (A-Z) foram revisadas para criar o sistema que temos hoje. Esta é também a primeira edição que identifica que TODOS os presentes devem dizer a última linha da oração. A 14ª edição de 1995 especifica mais sugestões de iluminação, mas todo o resto é igual a de 1984. A 15ª, a edição atual, corrigiu apenas uma sugestão de iluminação ruim.

Portanto, agora você pode julgar se o ritual mudou ou não desde a primeira execução.

Cronograma de mudanças

1ª Edição (1919) Devemos lembrar que a DeMolay foi fundada logo após a Primeira Guerra Mundial, na qual muitos jovens perderam seus pais, irmãos e amigos. A DeMolay estava recrutando principalmente filhos de maçons e seus amigos, por isso faz sentido que essa oração se concentre no lar maçônico e nos esforços dos maçons. Há um claro senso de patriotismo aqui, e um lembrete de que a Grande Guerra foi travada por boas razões, e que aqueles que morreram o fizeram por uma causa nobre.


2ª Edição (por volta de 1920). Uma mudança nesta versão é especificar qual casa maçônica é a mais próxima do capítulo, pois a Ordem DeMolay estava se espalhando para fora de Kansas City. Dicas de iluminação / música também foram adicionadas. A “linha” final com a qual estamos familiarizados também foi adicionada, mas apenas o Mestre Conselheiro o fez, e o fez a partir do Leste.


3ª Edição (1924). A Descrição “pequena” foi removida nesta edição, o que é uma mudança interessante. Podemos especular que, à medida que os órfãos cresciam e se tornassem adolescentes, o adjetivo não fazia mais sentido. Claramente, o último parágrafo foi reescrito, provavelmente porque a Ordem DeMolay estava se mudando para outros países, e o termo “americanismo” não seria apropriado. Mas a Comissão de Ritual queria manter o mesmo senso de patriotismo e encarregar todos os DeMolays de lembrar aqueles que deram a vida por seus respectivos países.


4ª Edição (1926). A próxima grande evolução foi remover qualquer referência específica ao “lar maçônico” na cerimônia, fazendo uma referência geral às “instituições”. Agora há uma orientação explícita para os DeMolays se ajoelharem durante a oração. A parte do meio da oração também foi completamente reescrita e abreviada. A atual geração de adolescentes não tinha mais irmãos e irmãs em orfanatos, então talvez a intenção fosse cobrar dos DeMolays que sempre procurassem ajudar qualquer pessoa necessitada. Mesmo que apenas o Mestre Conselheiro ainda faça sozinho a parte final, agora ela é realizada enquanto o Capelão ainda está ajoelhado no Altar. Esse final (em vez de se referir ao lar maçônico) agora tem a frase familiar “Deus abençoe a causa da Ordem DeMolay”.


5ª Edição (1930). Em grande parte inalterada, mas observe que agora a direção é para “Visitantes” permanecerem em pé, não apenas “Maçons”. Os Seniors DeMolays participavam das reuniões e talvez não fossem maçons. Além disso, o Mestre de Cerimônias agora tem o dever de conduzir o capelão até o altar e de volta para o seu posto.


6ª Edição (1937). Os capítulos não têm mais a opção de personalizar a cerimônia. As luzes agora estão mais reduzidas ao invés de apagadas. A única pequena alteração no texto falado é que o capelão “oferece uma oração” (em vez de “oferta”).

A cerimônia permaneceu inalterada na 7ª Edição (1945) e na 8ª Edição (1959).


9ª Edição (1963). O gongo do capítulo, anteriormente usado apenas para o grau de iniciação, agora está em vigor para esta cerimônia. Agora a referência aos convidados afirma que eles estão em “casas e hospitais” em vez de “instituições”, provavelmente porque esse termo desenvolveu uma conotação diferente ao longo do tempo. Em vez dos estranhos “Visitantes”, a fala agora é “Todos os outros”. As duas sentenças do meio da oração do capelão foram revertidas (mas, de outra forma, não foram alteradas). Um palpite sobre a intenção, é que a ordem anterior pedisse ajuda a Deus em frases consecutivas, e agora esses pedidos são interrompidos para melhorar o fluxo da cerimônia. Todos os DeMolays agora repetem a linha final, em vez de apenas o Mestre Conselheiro repetir sozinho.


10ª Edição (1964). A cerimônia não mudou, mas agora há autorização para realizá-la em público, o que coincide com o lançamento do Monitor de Cerimônias – a 1ª Edição (1965) e a 2ª Edição (1967) são idênticas a esta versão.


11ª Edição (1969). A cerimônia em si não mudou, mas há um novo requisito para que todas as reuniões incluam a cerimônia. Mais instruções são fornecidas sobre como executá-la em público ou em privado. O Monitor de Cerimônias 3ª Edição (1970) é idêntico.


12ª Edição (1974). Às instruções iniciais foram expandidas para explicar como a cerimônia deve ser realizada. Uma mudança no texto falado é que os “DeMolays ativos” se ajoelharão, não apenas os “DeMolays”. Da mesma forma, as instruções são alteradas para refletir que apenas os DeMolays ativos devem repetir a parte final. A outra mudança é que o Mestre Conselheiro bate três vezes antes de instruir o capelão a ir até o Altar. Isso faz sentido, porque, caso contrário, o capelão deve levantar para receber a ordem do Mestre Conselheiro. E quando, então, o Mestre de Cerimônias teria levantado? Além disso, as instruções do trabalho de solo foram mais claramente delineadas e ampliadas. Tudo isso coincide com o início de um sistema de julgamento do torneio nacional de ritual mais consistente, que exigia que o ritual fosse inequívoco.


Monitor de Cerimônias 4ª Edição (1975). A formatação (abreviação de oficial na margem esquerda e direções recuadas/em itálico) foi alterada para tornar o texto mais legível. Observe que o “local do Altar” é referenciado pela primeira vez (muitas lojas têm uma luz no teto, acima do Altar, e não havia nenhuma orientação anterior sobre como lidar com ela). Esta é a primeira vez em que as posições do piso utilizando o alfabeto (A-Z) são usadas, mas são bem diferentes daquilo a que estamos acostumados! Vá para a seção dos diagramas do solo para ver o sistema implementado para esta versão do Monitor. Novamente, as posições do alfabeto foram colocadas em prática para fornecer um sistema claro e consistente para o julgamento de torneios rituais.


13ª Edição (1984). A formatação é agora idêntica à que temos hoje. O sistema de trabalho de solo (A-Z) foi alterado para ser mais fácil de seguir e corresponde ao que usamos hoje. A redação de algumas das instruções também foi aprimorada. Observe que agora “TODOS” podem repetir a linha final, não apenas os DeMolays ativos.

O Monitor de Cerimônias 5ª Edição (1985) é idêntico. A 14ª Edição do Ritual (1995) é idêntica, exceto que os sinais de iluminação foram colocados em lugares diferentes, um dos quais estava incorreto.

O Monitor de Cerimônias 6ª Edição (2006) é idêntico, exceto que a alteração incorreta da sugestão de iluminação foi corrigida.

A 15ª Edição do Ritual (2012) também corrigiu esse problema de sinalização luminosa, mas, caso contrário, é idêntico.

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