A Teshuvah do Ritual DeMolay

A Teshuvah do Ritual DeMolay

E hoje voltamos, mais uma vez com um Convidado Ilustre, para debatermos um assunto muito interessante sobre a Ordem DeMolay. Com um texto interessantíssimo do irmão Antonio Jaimar Gomes, podemos refletir acerca das nossas tradições, história e A Teshuvah do Ritual DeMolay. Quer saber o que isso quer dizer? Leia este post e nos conte o que achou.

Cremos que hoje todos já devem estar acostumados com o Ritual em sua terceira edição, mas logicamente não foi assim no começo. Isso porque foi uma mudança bastante radical nas práticas Ritualísticas, já que ele mudou os rumos colocando em rota para o DI, ou seja, o Supremo Conselho procurou fazer com que ele congregasse com o restante da Ordem DeMolay no restante do mundo deixando alguns dos pontos tradicionais aqui do Brasil.
Recentemente, um dos nossos Irmãos que me são mais caros, Társis Valentim, usou um termo que explica bem o movimento feito pelo Supremo que começou em 2007 e vem continuando ao longo desses anos com pesquisas, Supremas Instruções, webnários, manuais etc. Társis disse que estamos numa Teshuvah. Palavra hebraica que significa voltar às origens do judaísmo, e no nosso caso, do Ritual.
A nova Ordem não teria existido em terras tupiniquins sem o Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil (que por motivos óbvios, chamaremos de SCREAA), mas para que a instituição se disseminasse, com a ajuda das Grandes Lojas e dos Inspetores Litúrgicos, membros efetivos e Lojas que predominantemente praticavam o Rito Escocês Antigo e Aceito, foi preciso trazer o Ritual para essa realidade. Além disso, o Rito de York que serve de base para nossos Graus não era trabalhado no país. Diante desses fatores, não restava outra coisa além de adaptar vários fatores, o que daria menos trabalho do que aprender uma prática alheia à realidade Maçônica do país somente para os DeMolays. O tempo urgia. O Irmão Kennyo Ismail já teceu alguns comentários sobre, mas vamos focar do outro lado que é o que veio do REAA para nós.
Para começar, vieram as traduções. A linguagem mais simples e próxima dos jovens é coisa nova. Assim como os Rituais Maçônicos são escritos em linguagem erudita e com uso impecável da norma culta, o Ritual DeMolay fez uso do mesmo. O vós, o vosso e os “fazei”, “prometeis” desfilavam elegantemente no Ritual.
Alguns cargos tiveram adaptações de função ou nomenclatura, como foi o caso do Orator e do Marshal (Não o Frank, esse é com um L só). O primeiro sofreu adaptação de função. Apesar de ter seu papel descrito na Cerimônia de Instalação dos Oficiais, a saber, interpretar a lição do segundo grau, o Orador ganhou novas funções, pois quando chegavam em Lojas onde um cargo análogo fazia as funções de fiscal da legalidade, os Tios não entendiam como ele ficava limitado a um Grau apenas, mesmo que fosse o mais alto.
Já o Marshal, foi traduzido como Mestre de Cerimônias e passou por adaptações de tradução e função. Primeiramente porque a melhor tradução seria Marechal, função que não existe no REAA, porém existe a função de Mestre de Cerimônias que vem a ser uma das traduções do termo Marshal. Acontece que o Mestre de Cerimônias exerce algumas funções que são do Marechal (conduzir e anunciar), mas não é tão limitado quanto este, atuando na Iniciação, ensinando as lições dos Graus do REAA etc. Na Ordem DeMolay, quem cuida disso é o 1º Diácono, a exemplo do Rito de York.
A outra grande diferença era a da arrumação da Sala Capitular. A Loja do Rito de York e o Templo do Rito Escocês são bem diferentes quanto à posição dos oficiais e lugar das portas, piso etc. O 1º Conselheiro, por exemplo, senta-se de frente para o Mestre Conselheiro originalmente e o Hospitaleiro senta-se onde está nosso Escrivão. A Sala tem um único piso, e isto fica evidente no fato de que o Ritual só cita os Conselheiros (que ficam sobre estrados) descendo ao nível do Altar para a Oração.
Outro detalhe importante é que a palavra era passada por Colunas: Sul, Norte e Leste (na época, Oriente). Acontece que na Ordem há apenas fileiras e elas não são comandadas pelos Conselheiros como nas Lojas são pelos Vigilantes. Os pontos cardeais são os lugares onde sentam os Conselheiros. Tanto que o 2º Conselheiro não usa malhete. Eles apenas cumprem funções quando delegadas pelo Mestre Conselheiro, tal qual o 1º Conselheiro na Iniciação ou o 2º Conselheiro na Abertura das Cerimônias Públicas. Havia também, ainda na questão fala, uma extensa lista de nomes a serem saudados, o que não há na Ordem DeMolay que faz a saudação de todos no começo da Reunião.
Muitos ainda são defensores de que essa era a melhor forma e de que o Ritual era melhor antigamente, principalmente os Maçons e Seniores mais velhos. Porém, tudo isto foi uma fase que deveria mesmo ser passageira. Não podemos ficar na contramão do restante do mundo. Se ainda há pontos divergentes, ainda mais com a vinda da 15ª edição do DI, é porque procuramos manter uma ou outra coisa que é bem identidade nossa, tal como o Tronco da Solidariedade. Mas hoje os Maçons de qualquer Rito têm uma noção maior e melhor de como trabalhar nosso Ritual.
Pode ser que ainda tenhamos mais uma edição do Ritual ou as próprias SI podem ajudar a nos levar mais ainda em direção a uma alma mais DeMolay para o Ritual. Não que antes não fosse, mas é como acontece com um pai: aprendemos o caminho de ter um Ritual e dar uma alma para isso. Agora, com mais de trinta anos, temos que ir guardando os ensinamentos e sendo gratos aos pais (Maçonaria, SCREAA) e ir começando a caminhar com as próprias pernas, o que quer dizer voltar-se para o jeito DeMolay de fazer o Ritual. Essa é a nossa Teshuvah!

Antonio Jaimar Gomes, PMC, Chev,
Membro da Comissão de Ritual e Liturgia do SCODRFB

Comentários ( 6 )

  1. Thiago Augusto
    Orgulhoso de você, Jaimar! 👏🏻
  2. CristianoMRA
    Parabéns Jaimar e aos irmãos que criaram esse blog, vocês são luzes a conduzir essa nova geração a uma nova fase da Ordem DeMolay Att. Cristiano Oliveira, Chev, KT.
    • Alan Kelvin
      Obrigado Cristiano. Continue acompanhando que ainda temos muito a contribuir. Abraço.
  3. Igor Leitão
    Jaimar como sempre dando show. Muito top o texto.
  4. Valber Gama
    Show de bola!!!
  5. Victor Rafael Ordozgoite
    Muito bom o texto! Incrível esse trabalho que está sendo feito com o nosso ritual através de nossa querida CNRL juntamente com o nosso SC, voltando às origens. Reconhecemos que para alguns tios é difícil aceitar certas diferenças entre o ritual das duas ordens, mas não pode acontecer de isso ser mantido como tradição, pois estará sendo criada uma outra ordem, que não seria nem Maçonaria, nem Ordem DeMolay. Mas acreditamos sinceramente que aos poucos essa alma DeMolay estará cada vez mais presente na execução de nossos rituais, e tradições (ritualices) como as acima citadas serão extintas de uma vez por todas.

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